terça-feira, 30 de novembro de 2010

Liberdade de criação e experimentação


O mais interessante dentro de um trabalho como este, que prioriza antes de tudo a pesquisa, é a experimentação.
Assim, todos nós da Cia., nos experimentamos não só enquanto atores mas também em todas as áreas de criação e produção, obtendo como produto final  um trabalho que possui em tudo a "nossa cara", e ainda mais, obtemos propriedade e conhecimento das personagens em tudo que diz respeito a sua criação, desde de a criação dos figurinos,  que foram idealizados e desenhados pelos próprios atores da Cia. Pigmentus por exemplo, até o perfil psicológico de cada personagem e em que status da sociedade ele melhor se encaixaria.

domingo, 28 de novembro de 2010

Processo




Em março entramos em um processo, e muito intenso. Não tínhamos ainda o texto, mal nos conhecíamos. Íamos para o teatro estudar, fazer exercícios e ali “Cômodos” começou a nascer. Se o espetáculo espera ate o dia 14 para vir ao mundo, o resultado de um outro processo já está presente, e vivo...




















Que a temporada seja eterna!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cômodos

 
  “Cômodos” desenvolve sua carpintaria teatral através de quatro personagens que buscam respostas distintas para seus questionamentos, desencadeando uma série de conflitos. Hilda vive entre devaneios particulares e a realidade, hora atenta as coisas que a permeiam e hora absorta em uma voz que permace ecoando em sua cabeça. Dário busca isolamento físico e social impossibilitando qualquer tipo de relação. Leonel procura incansavelmente sua metade. Maria questiona sua própria existência enquanto tenta interromper uma gravidez indesejada.

    Reclusos em um cômodo, os personagens confrontam suas realidades ignorando o imponderável que reside no lado de fora.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cômodos, criação do texto




Até onde vai a busca do ser humano por proteção pessoal? Três notícias de jornal serviram de base para o processo de criação de "Cômodos": Uma mulher que morava com o lixo, um homem que esperava a mulher ideal aos 35 anos e mantinha-se virgem para ela, e um garoto que dos 4 aos 18 anos fez voto de silêncio. Essas três pessoas foram o ponto de partida da nossa grande discussão a respeito do isolamento. Num mundo onde redes sociais se alastram com uma rapidez impressionante, a natureza reclusa do ser humano ainda está em questão. Buscamos uma linha de raciocínio sobre o isolamento pessoal e interpessoal, tentando interpretar e teatralizar essa busca e ao mesmo tempo, essa condição. Juntos, podemos está sós e sozinhos estamos sempre com alguma coisa. Os mecanismos de defesa que nutrem, refletem e também rejeitam as relações que envolvem toda a esfera social. Nosso trabalho será cobrir de arte esses conceitos recorrentes e tornar belo e intenso o produto final dessa discussão.
    
  
A condição do isolamento diz respeito à sensação de que mesmo juntos, estamos sós. Resolvemos falar sobre isso reunindo uma contraditória corrente de solidões. Juntos, nossos personagens permanecem alheios ao mundo. Alheios aos outros e a sí mesmos. Baseada nisso, a direção reúne uma série de elementos também contraditórios, brincando com os conceitos de espaço ao dilatar e comprimir o cenário, fazendo com que os personagens deslizem por essas liberdades espaciais. Cada um representa uma esteira livre do raciocínio, que ao passo em que pode ir para qualquer lugar, prefere manter-se detido dentro de suas próprias incapacidades. A direção do espetáculo busca essa mesma dilatação, levando os personagens para dentro e fora deles mesmos, e carregando a platéia consigo, ao mostrar às claras determinadas situações e às vezes, apenas deixando que trechos soltos escapem pelas fendas de luz de um dos cantos do cômodo.




    Uma voz não sai de dentro de sua cabeça. Um outro não que não quer o toque de mais ninguém. Há o que espera por quem nunca chega e também tem alguém que não quer esperar e luta fisicamente contra isso. Cada um numa esquina do cômodo, eles ignoram o imponderável que reside do lado de fora do lugar onde estão.

Henrique Haddefinir - autor do texto